quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"Carolina" por Andrea

Só existo enquanto abstrata

se eu ousar me fixar em algum lugar

sem identidade posso ficar

Pra me olhar e enxergar

afasta os olhos da Terra

e direciona até o ponto mais alto

que eles podem alcançar

Sou reflexo do céu

visitante que passa

minha morada é a própria jornada

"Andrea" por Carolina

Qualquer coisa insignificante, que ao mesmo tempo é grande

Uma complexa tentativa de simplicidade

Escuridão repleta de luz

Abismo que revela a altura dos sonhos.

Hambre

Tenho fome do que desconheço
da escuridão que não explorei
das experiências que ainda não vivenciei.

Tenho fome de mim
do meu mistério
daquilo que me consome
se levado muito a sério.

Tenho fome sem nome
sem definição
e por isso mesmo
sem nenhuma limitação.

Para Paty Beguetto

Lindo coração de palhaça,
nós sonhamos alto
porque corremos atrás
daquilo que o Coração traz

Nas tempestades nos divertimos
e sorrimos para as sensações
que cada trovão provoca
e que cada relâmpago invoca

Brincamos de Viver
aprendendo a morrer
porque nada há de permanecer
a não ser este Amor
que estranhamente sentimos
por todo e qualquer humano ser.

Dança do meu mundo

Dançar comigo é convite que assusta,
O som que ouço é silencioso
Pede entrega no aqui
E presença no agora.

Dançar comigo é convite para o improviso
Porque o ritmo que sigo
Vem de uma sístole e diástole
Que insistem em provocar
Arritmias quando a Vida me invade.

Dançar comigo é divertido
Pois a alegria que sinto
Desperta a inocência
Resgatada pelo riso.

Dançar comigo é experiência
Que deve ser saboreada sem receio
Eu passo em passos
Muitas vezes sem compasso
Que me levam de volta
ao meu centro

É por isso que eu giro, dou voltas e piruetas
Sem medo de errar
E movida por esta genuína vontade
De não parar
Sigo em frente
Pois, sem rodar
Os sentidos somem
E perco o ar...